O diagnóstico de endometriose pode ser um verdadeiro desafio em muitos casos. Isso porque a endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, podendo acometer estruturas da pelve e até do abdome. Ela pode causar sintomas intensos, como dor pélvica e cólicas incapacitantes, ou passar silenciosa por anos.
Nesse cenário, além do exame clínico e dos exames de imagem, a patologia tem um papel essencial em confirmar a doença com segurança quando há necessidade de biópsia e ajudar a diferenciar endometriose de outras condições que podem se parecer com ela.
Diagnóstico de endometriose: por que pode demorar?
O diagnóstico de endometriose costuma ser tardio porque os sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Algumas pacientes têm poucos sinais ou nenhum, enquanto outras demonstram dores menstruais fortes que podem ser normalizadas por anos.
Em certos casos, é comum que a investigação só comece durante avaliação de infertilidade. Por isso, o caminho até a confirmação normalmente envolve a soma de informações clínicas, exames complementares e, quando indicado, avaliação cirúrgica.
Em geral, o diagnóstico de endometriose começa com suspeita clínica e pode incluir:
✔ Exame ginecológico e avaliação física;
✔ Ultrassom transvaginal especializado (quando indicado);
✔ Outros exames de imagem conforme o caso e a localização suspeita;
✔ Marcadores laboratoriais, como apoio;
✔ Quando a suspeita persiste ou é necessário avaliar extensão/lesões, a laparoscopia pode ser indicada para visualização direta e coleta de amostras.
E você pode se perguntar: onde entra a patologia? A confirmação mais segura do diagnóstico de endometriose ocorre quando há análise anatomopatológica do material coletado por biópsia ou ressecção. Em termos práticos, é o exame anatomopatológico que pode:
1. Confirmar a doença pela análise do tecido
Ao avaliar a amostra no microscópio, o patologista verifica se há características compatíveis com endometriose no local suspeito. Isso é especialmente útil em casos leves ou quando a aparência das lesões não é convencional.
2. Apoiar o diagnóstico de endometriose em casos inconclusivos
Há situações em que clínica, imagem e até a laparoscopia levantam suspeita, mas não fecham o quadro com total segurança. Nesses casos, a confirmação histológica é decisiva para direcionar condutas.
3. Fazer diagnóstico diferencial com outras doenças
Algumas lesões podem levantar dúvida com condições benignas e até com neoplasias, principalmente quando há cistos ovarianos com aspecto atípico; lesões intestinais extensas; alterações que, na imagem, sugerem possibilidade de tumor.
Aqui, o exame anatomopatológico ajuda a separar o que é endometriose do que pode ser outra causa, mudando completamente a conduta.
Diagnóstico de endometriose: quando procurar avaliação?
Vale atenção especial quando sintomas são recorrentes e impactam a rotina, como:
– Cólicas menstruais muito fortes;
– Dor pélvica crônica;
– Dor durante a relação sexual;
– Alterações intestinais ou urinárias que pioram no período menstrual;
– Dificuldade para engravidar.
Quanto antes houver investigação adequada, maiores as chances de reduzir impactos e evitar complicações.
A patologia como aliada no diagnóstico de endometriose
O diagnóstico de endometriose é um processo que depende da integração entre diversos processos, exames e históricos, tornando a patologia uma aliada central, pois pode confirmar a condição com precisão, esclarecendo casos duvidosos e ajudando a diferenciar endometriose de outras doenças, incluindo neoplasias.
Se você tem sintomas persistentes, converse com seu ginecologista e busque avaliação especializada. Diagnóstico bem-feito é o primeiro passo para um cuidado mais seguro e direcionado.
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