O que é o escore de Gleason e o que ele indica no laudo de câncer de próstata

Ao receber o laudo de uma biópsia de próstata, é comum se deparar com um termo que raramente é explicado com clareza: o escore de Gleason. Diferente do que se costuma pensar, ele não informa apenas se há ou não câncer. Sua função é descrever, em números, o padrão de crescimento das células tumorais, informação que o urologista usa para decidir entre acompanhar o paciente ou iniciar tratamento.

O câncer de próstata é o tipo mais frequente entre os homens no Brasil, respondendo por cerca de 15% dos novos casos de câncer estimados para o triênio 2026-2028 pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer). Com uma incidência dessa magnitude, entender o que o laudo está de fato comunicando ajuda tanto o paciente quanto a equipe médica a conduzir o caso com mais segurança.

Como o escore é calculado

Ao examinar a amostra da biópsia, o patologista identifica os padrões arquiteturais das células tumorais em uma escala de 1 a 5, sendo que, na prática, apenas os padrões 3, 4 e 5 são considerados câncer. Ele soma o padrão mais frequente na amostra ao segundo padrão mais frequente, chegando a uma pontuação de 6 a 10, que aparece no laudo como, por exemplo, “Gleason 7 (3+4)”.

O primeiro número indica o padrão predominante, e o segundo, o secundário. A ordem importa: um Gleason 7 (3+4) tem prognóstico mais favorável que um Gleason 7 (4+3), justamente porque no primeiro caso o padrão menos avançado é o predominante na amostra.

O que o grupo de grau da ISUP acrescenta ao laudo

Desde 2014, o laudo também traduz o escore de Gleason em um grupo de grau da Sociedade Internacional de Patologia Urológica (ISUP), numa escala de 1 a 5 que facilita a comunicação entre patologista e urologista.

Um escore de Gleason 6 corresponde ao grupo de grau 1, associado a crescimento lento e à possibilidade de vigilância ativa em vez de tratamento imediato. Um Gleason 7 (3+4) corresponde ao grupo 2, de risco intermediário favorável, enquanto um Gleason 7 (4+3) corresponde ao grupo 3, de risco intermediário com maior probabilidade de progressão. Já o Gleason 8 corresponde ao grupo 4, e os escores 9 ou 10 correspondem ao grupo 5, ambos associados a maior probabilidade de indicação de tratamento ativo.

Essa correspondência é o que orienta a escolha entre vigilância ativa, cirurgia, radioterapia ou terapia hormonal, sempre em conjunto com outros dados clínicos do paciente, como o PSA e o estadiamento.

Por que a qualidade do laudo é, também, uma decisão clínica

O escore de Gleason depende da leitura cuidadosa do patologista, e pequenas variações na classificação dos padrões podem mudar o grupo de grau e, com isso, a conduta recomendada. Padronização na leitura das lâminas e patologistas experientes em uropatologia fazem parte desse compromisso, que é também uma responsabilidade com o paciente e a equipe médica que decide o tratamento com base no laudo.

O Cipac realiza a análise histopatológica e a graduação de Gleason com esse padrão de rigor técnico, dentro dos critérios de acreditação PACQ-SBP, e oferece às clínicas e hospitais parceiros de Blumenau e região uma rotina de exames pensada para dar suporte real à decisão terapêutica, com agilidade no retorno e comunicação direta com a equipe médica sempre que necessário.