Exames para doenças renais: a patologia ajuda a fechar o diagnóstico

Quando falamos em exames para doenças renais, muita gente pensa apenas em creatinina, ureia e urina, que são, sim, testes fundamentais para triagem e acompanhamento. Mas, em diversos cenários, a patologia, especialmente a avaliação da biópsia renal, é o passo que transforma uma suspeita em diagnóstico definitivo, diferenciando doenças com sintomas parecidos, estimando gravidade, avaliando atividade versus cicatriz e ajudando a direcionar tratamento e prognóstico.

Exames para doenças renais: o que a patologia investiga, na prática?

A patologia para doenças renais é o campo que estuda alterações estruturais do rim, como glomérulos, túbulos, interstício e vasos, a partir de amostras de tecido, quase sempre por biópsia renal, e também por peças cirúrgicas em situações específicas.

Na rotina diagnóstica, a patologia entra para responder perguntas como:

– A lesão é glomerular (ex.: síndrome nefrótica/nefrítica) ou túbulo-intersticial?

– O quadro é inflamatório ativo (potencialmente reversível) ou predomina fibrose/cicatriz?

– Há padrão compatível com doença primária (idiopática) ou secundária (diabetes, lúpus, infecções, fármacos, etc.)?

– Existe depósito imune? Qual o tipo e a distribuição?

– Há sinais de agressão rápida com risco de perda acelerada da função renal?

É por isso que, em muitos casos, os exames para doenças renais vão além de “dosar creatinina”: é a combinação de dados clínicos + laboratório + imagem + patologia que fecha o caso com segurança.

As doenças renais podem ser silenciosas no início ou se manifestar de forma inespecífica. Alguns sinais e sintomas comuns que costumam motivar exames para doenças renais incluem:

Edema (inchaço) em pernas/tornozelos e ao redor dos olhos;

Mudanças na urina (redução/aumento do volume, urina espumosa, alteração de cor);

Hematúria (sangue na urina, visível ou microscópico);

Hipertensão persistente ou de difícil controle;

Fadiga, fraqueza, queda de desempenho;

Em fases avançadas: náuseas, perda de apetite, prurido, alterações cognitivas.

Esses achados não “fecham” um diagnóstico sozinhos, mas indicam que vale estruturar a investigação com exames para doenças renais adequados.

Exames para doenças renais: a biópsia renal e o que o laudo patológico entrega

A biópsia renal é um dos pilares diagnósticos em nefrologia, especialmente em síndromes glomerulares (nefrótica/nefrítica), piora rápida da função, proteinúria significativa e hematúria com sinais de acometimento renal.

Mas, como o rim é analisado na patologia? De forma geral, o material pode ser avaliado por:

– Microscopia de luz (ML): arquitetura, padrões de inflamação, esclerose, necrose, fibrose, etc.

Imunofluorescência (IF): identifica depósitos de imunoglobulinas/complemento e seus padrões.

– Microscopia eletrônica (ME) (quando indicada): detalhes ultraestruturais (podócitos, membrana basal, depósitos submicroscópicos). A ME é um recurso decisivo em diversas glomerulopatias.

E o que costuma aparecer no laudo? Além do diagnóstico, um bom laudo descreve:

– Compartimento glomerular (proliferação, esclerose, crescentes, depósitos…).

– Túbulo-interstício (inflamação, atrofia tubular, fibrose intersticial).

– Vasos (lesão hipertensiva, microangiopatia trombótica, etc.).

– Atividade vs. cronicidade: o “quanto ainda é reversível” e o “quanto já virou cicatriz”.

Esse conjunto é o que transforma a biópsia em um dos exames para doenças renais mais estratégicos para guiar conduta.

Exames para doenças renais: principais doenças que a patologia detecta

Abaixo, veja um resumo de doenças em que a correlação clínico-patológica é crucial:

1. Nefropatia diabética

Entre as causas mais comuns de doença renal crônica, pode mostrar alterações glomerulares e vasculares típicas em diferentes graus. A patologia ajuda a:

✔ confirmar padrão compatível;
✔ avaliar coexistência com outra glomerulopatia (algo que pode mudar completamente a conduta).

2. Doença por lesões mínimas (DLM)

Clássica em síndrome nefrótica (especialmente em crianças), com ML muitas vezes pouco alterada, e achados que podem depender de técnicas complementares. A patologia é essencial para diferenciar de outras causas.

3. Glomeruloesclerose focal e segmentar (GESF)

Pode ser primária ou secundária (ex.: HIV, drogas, hiperfiltração, outras GN). O padrão, a distribuição e os sinais de cronicidade ajudam a orientar investigação de causa e resposta terapêutica esperada.

4. Nefropatia membranosa

Depósitos subepiteliais e padrões específicos (que podem envolver pesquisa de marcadores/autoanticorpos no contexto clínico) tornam a integração entre clínica, sorologia e patologia determinante.

5. Nefropatia por IgA

Uma das glomerulopatias mais frequentes em biópsias, com apresentações que variam de hematúria recorrente a formas mais agressivas. A patologia estratifica gravidade e risco.

6. Nefrite lúpica

Aqui, a patologia é praticamente mandatória para classificação, atividade e cronicidade, impactando diretamente o plano terapêutico. Há classes reconhecidas na prática, com critérios histológicos específicos.

Exames para doenças renais no Cipac

Na prática, a excelência em exames para doenças renais depende de três pontos: amostra bem conduzida, técnica adequada e laudo claro, acionável e correlacionado ao contexto clínico. No Cipac, os serviços podem apoiar o cuidado ao paciente por meio de anatomia patológica, técnicas complementares e biologia molecular.

Se você está investigando um caso com suspeita de doença renal, considere uma abordagem integrada com exames de patologia e suporte especializado do laboratório.

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