Recebi o resultado da citologia cervicovaginal e não entendi as siglas: o que fazer?

Você fez o exame, recebeu o laudo e se deparou com uma série de siglas que parecem um código. NILM, ASC-US, LSIL, HSIL… O que cada uma dessas combinações de letras quer dizer? E, mais importante: o que você precisa fazer agora?

A maioria dos resultados alterados na citologia cervicovaginal não significa câncer. O exame existe justamente para identificar alterações precoces, quando ainda há tempo de agir. Entender o laudo é o primeiro passo.

O resultado está normal: o que é NILM?

NILM é a sigla para “Negativo para Lesão Intraepitelial ou Malignidade”. Em outras palavras: o exame não encontrou nada que indique lesão pré-cancerosa ou câncer. É o resultado que toda mulher quer receber.

Mesmo assim, o laudo pode trazer observações extras, como a presença de uma inflamação, de fungos ou de bactérias. Isso não é motivo de alarme: são informações que ajudam o ginecologista a cuidar melhor da sua saúde. Com NILM, a orientação é continuar fazendo o exame periodicamente, no prazo que o seu ginecologista recomendar.

O resultado veio com uma sigla estranha: o que pode ser?

Quando o laudo traz algo além de NILM, significa que o laboratório identificou alguma alteração nas células do colo do útero. Isso não quer dizer, automaticamente, que existe algo grave. Há diferentes categorias, e cada uma tem um peso diferente.

“Acharam algo, mas não sabem bem o que é ainda”: ASC-US

ASC-US é a alteração mais comum nos laudos de citologia cervicovaginal. O nome técnico é “células escamosas atípicas de significado indeterminado”, mas a tradução prática é: as células estão um pouco diferentes do normal, porém a alteração é pequena demais para definir se é ou não uma lesão de verdade.

Pode ser causada por uma inflamação, por uma infecção vaginal, por alterações hormonais ou por um efeito passageiro do HPV. A chance de que um ASC-US esconda algo mais sério é baixa. Por isso, a conduta habitual não é tratar, mas repetir o exame em um intervalo determinado pelo médico, geralmente entre seis meses e um ano.

“Baixo grau”: LSIL

LSIL indica uma lesão intraepitelial de baixo grau. Aqui a alteração já é mais definida, geralmente ligada à presença do HPV. A boa notícia é que boa parte dessas lesões regride sozinha, sem nenhuma intervenção, especialmente em mulheres mais jovens. O acompanhamento com repetição do exame costuma ser suficiente na maioria dos casos.

“Alto grau”: HSIL

HSIL indica uma lesão intraepitelial de alto grau. Esse resultado pede atenção mais rápida, pois esse tipo de lesão tem maior potencial de evoluir para câncer se não for tratada. Diante de um HSIL, o ginecologista costuma solicitar uma colposcopia com biópsia para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado.

“Células de outro tipo com alteração”: AGC

AGC indica alterações em um tipo diferente de célula, as chamadas células glandulares. É menos comum, mas também exige investigação, pois pode estar relacionada a alterações no canal do colo do útero ou no endométrio. O encaminhamento para avaliação especializada é necessário.

E agora, o que eu faço?

O laudo da citologia cervicovaginal nunca deve ser lido sozinho. Ele é uma peça de um quebra-cabeça que o ginecologista monta com o seu histórico, com exames anteriores e, em alguns casos, com testes complementares como o PCR para HPV, que identifica a presença do vírus e ajuda a definir o grau de risco e a conduta mais adequada para cada caso.

Receber um resultado alterado não significa que você tem câncer. Significa que o exame cumpriu o papel dele: identificou algo que merece atenção. Quanto mais cedo isso é detectado, melhores são as chances de resolução.

Se você ficou com dúvidas após receber o resultado, leve o laudo ao seu médico e pergunte tudo o que precisar. Nenhuma dúvida é pequena demais quando o assunto é a sua saúde.

Leia também: Exame Papanicolau: o preventivo que pode salvar vidas